terça-feira, 6 de agosto de 2013

Uma Certa Noite

No outro dia, chegando do trabalho, entrei em casa, e como sempre minha mulher estava jogando paciência na cama e bebendo uísque, mas desta vez ficou calada.
Minha filha Maria não estava em casa, e nem Carlos, meu filho, tomei um banho e fui para a biblioteca, espalhei os papéis e relatórios na mesa e não fiz nada.
Minha mulher desta vez não me chamou para jantar, fui para a cozinha, mas as cenas do acontecimento passado, não paravam de surgir em minha mente, e isso não me permitiu comer.
Tomei um café e indo para a garagem, passando pela sala, onde agora estava minha mulher, percebo o olhar dela em minha direção, olhar frio, ela permaneceu calada.
Peguei meu carro e fui para o mesmo lugar da noite passada, esperei vinte minutos, até que apareceu uma mulher, estava escuro, e não pude vê-la direito, como todas as noites, liguei o carro, acelerei, e pude ouvir o barulho dos ossos de quem quer que estivesse ali, se quebrando contra meu para-choque cromado, a deixei ali e fui embora.
No dia seguinte, de manhã, reparei que meus filhos não estavam em casa, fiquei preocupado, até que minha mulher aparece desesperada, dizendo que Maria, teve seus ossos quebrados na noite passada, em um atropelamento, e que por não suportar os ferimentos, havia falecido.
Furioso por não ter sido avisado, e triste, pego fôlego, ia surtar, mas de repente um enorme peso caiu sobre mim, antes que eu pudesse ficar ainda mais desesperado, vejo Ana, minha bela mulher, parada do lado do fogão, com um revólver na mão, me olhando enraivecida, perco os sentidos naquele instante, até que o último barulho que pude ouvir foi o disparo da arma, misturado ao som dos ossos de Maria se quebrando, e a última imagem do sorriso de Maria, com os olhos de Ana, olhar frio.
Quase pude vê-la ensanguentada, mas o que vi foi o meu sangue, escorrendo de meu peito, e pingando no chão da cozinha.
(Pamela Campos)

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