Literaturando
"Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura." (Charles Bukowski)
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Às vezes a dor chega a ser boa, às vezes nós apenas sentimos prazer em nos machucar.
Não falo de automutilação e coisas do tipo, e sim de trazer a tona lembranças boas ou ruins, lembranças que ferem a nossa alma. É o pior tipo de automutilação.
Quando tentavam me machucar, eu chegava a desejar aquilo, e fugia, corria, me escondia.
A faca pega na prateleira da cozinha brilhava, e eu quase podia sentir o gosto férreo de sangue em minha boca, mas apenas sentia o gosto salgado de minhas lágrimas.
“Apenas volte a dormir.”
“Apenas feche os olhos e tudo isso passará.”
“Se eu quisesse machucá-la, eu já teria feito.”
“Com o passar do tempo você se acostumará.”
Chegava à noite, me deitava, me cobria e fechava os olhos tentando dormir. Dormia tranquilamente até ouvir o barulho de passos pesados no chão do meu quarto, o desespero batia, a voz sumia, o medo caía sobre mim com o seu peso sufocante.
Talvez eu não tenha raiva porque tudo o que ele me dizia era verdade, que eu não queria e nem deveria ser como a minha mãe, que ninguém nunca se importaria com o que sinto.
Ninguém se importou.
(Pamela Campos)
segunda-feira, 28 de julho de 2014
No ponto, e ponto.
Ás vezes me comparo a alguém em um ponto de ônibus, a esperar, coisas boas ou ruins. Pessoas desconhecidas e conhecidas passando por mim, depois o balanço, as freadas, as paradas, pessoas indo e vindo... Situações variadas, e me lembro que se estou lá, é para chegar em algum lugar, alcançar algum objetivo, e é isso que me mantém na estrada...
Poesia de porre
Um copo de coragem, por favor
Um copo de vida, pra essa minha utopia barata
Um copo de prazer, por favor
Um copo de ânimo, nessa folha amassada
Me traz um café, acompanhado de teu corpo macio
Quente,
Doce,
Me traz o teu sorriso, com teus gestos mais banais
Cadê a tua poesia, pra preencher meu vazio?
Viver meio (inteiramente) torta assim é cansativo
(Pamela Campos)
Um texto cru (e nu)
Sexo é algo sem pudor, é quase sadomasoquismo, é ter e dar prazer ao mesmo tempo, é se deliciar com o mistério que o outro tem, é estar no céu e no inferno ao mesmo tempo, é algo angelical e demoníaco, é ter a delicadeza de uma borboleta, a sutileza de uma ave e a força de um leão. É um jogo físico e intelectual, é atiçar a imaginação.
É saber fantasiar, transportar o parceiro a outra dimensão, é repetir, uma, duas, três vezes, e deixar o gostinho de quero mais.
Aqui no meu mundo não há política, não há esquerda e nem direita, nós somos movidos pelo instinto e ninguém deve nada a ninguém. Não há traição, falsidade,não há a diferenciação entre paixão e amor, o amor é terno e a confiança a base dos relacionamentos.
Daqui posso vê-lo, um anjo que peca gostando da minha metade demoníaca, mas que desperta como ninguém o anjo que há em mim. Na escuridão da noite, no nosso quarto, ele me devora, incendeia a minha alma em um impulso cheio de desejo, nossas mentes se esvaziam...
Na minha só há música, jazz, blues, e o desejo de que todo aquele momento seja eternizado. Nossos olhares se cruzam, neles há de tudo, paixão, desejo, amizade, confiança, prazer, sinceridade, somos humanos novamente. Somos nós mesmos, sem máscaras, sem timidez, sem rótulos, sem roupa.
Aqui o corpo humano é a mais bela obra de arte, dos pés aos seios, dos seios á nuca. Na luz das velas, tudo o que obscuro se dissipa, nos contemplamos, os corpos esculpidos pelo mais perfeito artista.
Minha vida desde o começo foi um enorme ponto de interrogação, eu pensava; por que estou aqui? O que vai ser depois da minha morte? E se eu me entediar? Vou ser tão pequena para sempre? O que Deus (se é que há um) planeja? Por que sinto que não pertenço a tudo isso?
Se eu pudesse viver nos meus sonhos, nos mundos que eu criei, tudo seria diferente... Me imagino com um par de asas, em um mundo diferente, cheio de criaturas místicas, elfos, anjos, fadas, e com pessoas que se importam em fazer o bem, pessoas feitas de poesia. Eu era dividida, metade anjo, metade demônio, ambos constantemente brigavam para me dominar, eu os odiava! Minha casa, ou castelo, sempre tinha música, meu jardim era imenso, cheio de rosas, lírios, tulipas e jasmim.
Era com certeza o meu mundo preferido, visitava outros por meio dos sonhos, mas não entendia nada quando acordava. O pior era o mundo "real", pessoas assustadoramente egoístas, presas no senso comum, com a mente, a imaginação e o coração lacrados, a rotina, o tédio...
Engana-se quem acha que não havia anjos lá, havia, e eram aqueles anjos que faziam aquele mundo ser mais suportável.
A luta entre os anjos e os demônios acaba, deitada em seu peito ofegante adormeço, e ali fico só, humana, apenas o meu eu, a bruxa, a fada, a deusa, a escultora, a louca, o nada, o erro...
(Pamela Campos)
sábado, 24 de maio de 2014
Ainda existe privacidade?
Em meio a tantas redes sociais que expõem nossas vidas completamente aos outros dizendo onde estamos, com quem estamos, onde estudamos, trabalhamos, ainda existe privacidade?
E o que essa exposição pode acarretar? Vemos frequentemente casos de assédio ou pedofilia infantil que tiveram início na Internet, casos de sequestro ou constrangimento virtual.
Torna-se cada vez mais necessário mostrar-nos aos outros, chamar a tenção, e isso nem sempre é bom, quase nunca é.
Precisamos controlar mais nossos dados pessoais, controlar essa necessidade de exposição para nos prevenir dos possíveis males.
Precisamos usar a tecnologia para o bem, de forma correta e não apenas para esse nosso egocentrismo.
(Pamela Campos)
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Gravidade
Desde que tenho consciência, estou sempre me afogando em mim, estou sempre fora do eixo, fora da realidade, perfeita imperfeição.
Dizem que vaso ruim não quebra, não? E o que dizer dos que já nascem quebrados?
Vivemos em um mundo cheio de estereótipos, rótulos, mas meu bem, não sou ateia, não sou santa, não sou beata, eu sou o que me fez a estrada.•.
Sobre o amor... Ah! Escute Chico Buarque!
Passei tempos demais procurando a tal da felicidade, até descobrir a felicidade é o que acontece quando você não está procurando por ela, nem a esperando pelas mãos de outra pessoa.•.
Vou pintando meu quadro a cada segundo, fundo avermelhado, espirais escuros, nuvens alaranjadas, sentimento de confusão, de longe até parece bonito, de perto é um completo borrão!
Sem molduras, única imagem bonita ali é a lua. Ilumina-me por dentro e por fora!
Sou totalmente racional e equilibrada até começar a falar de mim. Mas dizer que sou toda certa, e que tudo sempre vai dar certo comigo é como lutar com a gravidade, você cai de cara no chão.
(Pamela Campos)
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