No outro dia, chegando do trabalho, entrei em casa, e como sempre minha mulher estava jogando paciência na cama e bebendo uísque, mas desta vez ficou calada.
Minha filha Maria não estava em casa, e nem Carlos, meu filho, tomei um banho e fui para a biblioteca, espalhei os papéis e relatórios na mesa e não fiz nada.
Minha mulher desta vez não me chamou para jantar, fui para a cozinha, mas as cenas do acontecimento passado, não paravam de surgir em minha mente, e isso não me permitiu comer.
Tomei um café e indo para a garagem, passando pela sala, onde agora estava minha mulher, percebo o olhar dela em minha direção, olhar frio, ela permaneceu calada.
Peguei meu carro e fui para o mesmo lugar da noite passada, esperei vinte minutos, até que apareceu uma mulher, estava escuro, e não pude vê-la direito, como todas as noites, liguei o carro, acelerei, e pude ouvir o barulho dos ossos de quem quer que estivesse ali, se quebrando contra meu para-choque cromado, a deixei ali e fui embora.
No dia seguinte, de manhã, reparei que meus filhos não estavam em casa, fiquei preocupado, até que minha mulher aparece desesperada, dizendo que Maria, teve seus ossos quebrados na noite passada, em um atropelamento, e que por não suportar os ferimentos, havia falecido.
Furioso por não ter sido avisado, e triste, pego fôlego, ia surtar, mas de repente um enorme peso caiu sobre mim, antes que eu pudesse ficar ainda mais desesperado, vejo Ana, minha bela mulher, parada do lado do fogão, com um revólver na mão, me olhando enraivecida, perco os sentidos naquele instante, até que o último barulho que pude ouvir foi o disparo da arma, misturado ao som dos ossos de Maria se quebrando, e a última imagem do sorriso de Maria, com os olhos de Ana, olhar frio.
Quase pude vê-la ensanguentada, mas o que vi foi o meu sangue, escorrendo de meu peito, e pingando no chão da cozinha.
(Pamela Campos)
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Inconstância
Subo aos céus, troco de estado, vezes sou sólida, vezes sou o gás que levemente se transforma nas mais belas nuvens do céu, possuo variadas formas no olhar, e na imaginação de uma criança.
Quando me misturo aos rios, me torno parte da vida do pescador, quando a tempestade vem, percebo que o ser humano, mesmo na sua forma, faz parte de todos esses fenômenos, passam pelas tempestades, pelas correntezas, mas podem ser leves como as nuvens. O que eles não entendem, é que a vida sempre está em constante movimento, tudo é efêmero, temos que nos acostumar com as mudanças, aceitá-las.
Sou a necessidade daqueles que vivem no sertão, sou parte do romantismo do casal de namorados que se beijam em meio a chuva, sou inconstante, sou leve e sou agitada, sou rio, sou água.
(Pamela Campos)
Quando me misturo aos rios, me torno parte da vida do pescador, quando a tempestade vem, percebo que o ser humano, mesmo na sua forma, faz parte de todos esses fenômenos, passam pelas tempestades, pelas correntezas, mas podem ser leves como as nuvens. O que eles não entendem, é que a vida sempre está em constante movimento, tudo é efêmero, temos que nos acostumar com as mudanças, aceitá-las.
Sou a necessidade daqueles que vivem no sertão, sou parte do romantismo do casal de namorados que se beijam em meio a chuva, sou inconstante, sou leve e sou agitada, sou rio, sou água.
(Pamela Campos)
sábado, 3 de agosto de 2013
Socorro!
Socorro! Alguma alma mesmo que penada, me empreste suas penas, já não sinto amor nem dor, já não sinto nada.
Socorro! Alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa que se sinta.
Tem tanto sentimento, deve ter algum que sirva...
Socorro! Alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa que se sinta.
Tem tanto sentimento, deve ter algum que sirva...
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