terça-feira, 5 de agosto de 2014
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Às vezes a dor chega a ser boa, às vezes nós apenas sentimos prazer em nos machucar.
Não falo de automutilação e coisas do tipo, e sim de trazer a tona lembranças boas ou ruins, lembranças que ferem a nossa alma. É o pior tipo de automutilação.
Quando tentavam me machucar, eu chegava a desejar aquilo, e fugia, corria, me escondia.
A faca pega na prateleira da cozinha brilhava, e eu quase podia sentir o gosto férreo de sangue em minha boca, mas apenas sentia o gosto salgado de minhas lágrimas.
“Apenas volte a dormir.”
“Apenas feche os olhos e tudo isso passará.”
“Se eu quisesse machucá-la, eu já teria feito.”
“Com o passar do tempo você se acostumará.”
Chegava à noite, me deitava, me cobria e fechava os olhos tentando dormir. Dormia tranquilamente até ouvir o barulho de passos pesados no chão do meu quarto, o desespero batia, a voz sumia, o medo caía sobre mim com o seu peso sufocante.
Talvez eu não tenha raiva porque tudo o que ele me dizia era verdade, que eu não queria e nem deveria ser como a minha mãe, que ninguém nunca se importaria com o que sinto.
Ninguém se importou.
(Pamela Campos)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário